sábado, 14 de agosto de 2010

ENTREVISTA AO CUB

Entrevista com Alberto F. do Carmo PDF Imprimir E-mail


GREGO E MILTON FRANK ENTREVISTAM ALBERTO FRANCISCO DO CARMO




ALBERTO DO CARMO

1 - Quando, como e porque você começou a pesquisar Ufologia?
Acho que comecei, praticamente, quando todos começaram a se interessar pelo assunto no Brasil, isto é, em torno de 1954. Eu era um menino, mal saído das calças curtas, quanto vi um OVNI, certa noite em 1954. Veja, eu já estava interessado pelo assunto, a partir das primeiras notícias nos jornais. Mas quando vi eu mesmo, aquela bolinha mudando de cor e fazendo piruetas de noite, coisa proibida a qualquer avião,tive certeza.
Quanto a pesquisar isto foi bem mais tarde. Eu tive a fase de acompanhar, ser quase um mascote da turma inicial do CICOANI, de BH. Tinha doze anos de idade. Eu xeretava jornais em busca de notícias para recortar e levar para o Húlvio Brant Aleixo. Mais tarde comecei a investigar, qual seja quando fui o primeiro investigador do Caso Sagrada Família em 1965. Mas quanto a pesquisar, no sentido puro, de analisar dados, chegar a conclusões, meu batismo de fogo foi quando assumi a investigação e PESQUISA (no sentido transdisciplinar) do caso do casal Bianca e Hermínio, com o qual aprendi e descobri muita coisa, apesar do caso afinal ter escapado ao meu controle. Apesar do final melancólico, é um caso muito sério. Eles não admitem isto, mas foram tapeados completamente e passaram por tapeadores. Adiante vocês compreenderão melhor, quando eu falar mais de contatados.

2 - Trace um perfil da pesquisa ufológica da sua época com a atual. Mudou muito ou os caminhos são os mesmos?
A diferença fundamental é que,até o início dos anos 80,tínhamos casos acontecendo por toda parte, inclusive perto de nós, debaixo dos nossos narizes. Isto dava a chance de ver as coisas mais de perto. Mas como sempre digo, a primeira leva dos investigadores, a que começou no fim dos anos 40 e que se consolidou nos anos 50 e sessenta, não soube preparar a segunda geração de investigadores. Com isto a “nova geração” acabou por partir do zero, com um agravante: estranhamente os ÓVNIS e seus operadores iniciaram uma espécie de recuo estratégico. Com isto os investigadores de hoje não têm a chance que tivemos,inclusive quanto a casos de contato com tripulantes, que estranhamente ou cessaram, ou estão acontecendo tão furtivamente, que até se dá à tentação de que seriam lendas urbanas. A meu ver, pode ser uma estratégia dos operadores de OVNIS:aparecer bem mais discretamente, de modo que os investigadores (só alguns são pesquisadores, repito) ficassem sem assunto.
Um fato que sempre lembro é que “eles” podem ter se tornado mais arredios porque a fotografia, sobretudo a digital, facilitaria muito serem apanhados em flagrante. Daí que se cuidam para não serem apanhados. Isto não interssa a eles, pelo menos, de momento. Isto já dá para inferir. São mais de cinqüenta anos de esconde-esconde.

3 - Quais os casos, em sua opinião, irrefutáveis e incontestáveis da casuística brasileira?
Irrefutáveis ou incontestáveis,acho palavras um pouco fortes, dentro dos critérios estritos da prova científica, principalmente em se tratando de algo visivelmente furtivo, que parece tentar não deixar rastros. Mas na minha vivência particular, todos os casos de contato com tripulantes que foram investigados pelo CICOANI são extremamente reveladores e expressivos: Sagrada Família, Baleia, Bebedouro (seqüestro do soldado José Antônio da Silva), a tentativa de seqüestro do agricultor e merceeiro Hermelindo Coelho da Silva, além da enorme quantidade de casos de pessoas que tiveram suas rotinas de vida alteradas no chamado Vale do Rio das Velhas em BH. Tanto é que TODOS esses casos são de domínio público e citados a nível mundial..
Também destacaria a casuística do Vale do Rio Tietê, envolvendo cidades como Lins, Leme, Bauru, Catanduva, etc., investigados muito bem pelo saudoso Dr. Walter Bühler e que agora num esforço conjunto meu, de Carlos Machado e Edison Boaventura, tentaremos resgatar, esquecidos que estava.
E mais recentemente tivemos a casuística Chupa-Chupa/Operação Prato, diferentes, embora conjuntas, e o caso da noite de 19 de maio de 1986, que envolveu caças da FAB e OVNIS. Com a recente reportagem da Revista Força Aérea, embora tenha detalhes que escapem até aos próprios pilotos envolvidos, não há mais dúvida. Pelo menos, assim penso.
Para ver o Reatório de Investigação de Objetos Aéreos não Identificados do caso ocorrido em Bebedouro clique aqui.

4 - Quais os cuidados e quesitos mínimos necessários para um verdadeiro pesquisador do fenômeno UFO?
A principal é se preparar intelectual e psicologicamente para estudar o que for caindo ao seu alcance. Não basta apenas colher e relatar casos, não basta saber vomitar histórias e mais histórias sem ser capaz de tirar conclusões embasadas delas.
Para tal embasamento, aí é que a coisa se complica. Um ufólogo precisa ter conhecimentos de ciências exatas e humanas. E dependendo do nível que tiver em cada campo, pode chegar perto de descobertas, ou não. Infelizmente há poucos ufólogos que mereçam este nome, que fizeram o dever de casa. Uma das minhas decepções foi constatar que muitos embarcaram no assunto porque viram nele uma forma de se afirmarem perante o mundo. No fim repetiam a fábula de Esopo da gralha que vestiu penas de pavão e que conseguiu enganar as companheiras até que elas caíssem.
É preciso ter na cabeça, ou ao alcance dela, pelo menos toda a Matemática, Física e Química do segundo grau. É preciso ler bastante a respeito de Psicologia, Sociologia e Epistemologia, esta a ciência que estuda a construção do conhecimento em geral. Em Psicologia, por exemplo, eu recomendaria as obras “Desenvolvimento da Personalidade” e “Transtornos Psiquiátricos do Adulto” ambos de Flávio Fortes D’Andrea, Editora Difel. E mais “A Piquiatria ao Alcance de Todos” de Yves Pélicier, Editora Nova Fronteira. São o BÁSICO para que o ufólogo tenha visão correta dos fenômenos psicológicos normais e também os psicopatológicos. Como se sabe, há uma certa “folga” em rotular como “alucinação”, “manifestações do inconsciente coletivo”, “histeria coletiva” os avistamentos de OVNIS.Não é assim e é bom saber analisar e contra-argumentar, caso necessário. Esqueçam tudo que Jung falou de “discos-voadores”. É uma imensa bobagem, tipo bolo de fubá solado coberto com o chantilly da erudição.
Algumas coisas necessárias talvez fossem: investigar casos de primeira mão, evitando “reciclar” casos alheios e fora de seu alcance; saber entrevistar, saber fotografar, saber desenhar, ter capacidade de absorver choques com coisas aparentemente inacreditáveis, saber correlacionar detalhes próximos ou distantes; evitar explicações “alternativas”;evitar o cientificismo, a conduta secretista, o misticismo; vigiar-se psicologicamente para não projetar seus problemas nos fatos que investiga e nas relações com colegas. Mas há muitas coisas mais e eu falaria muito delas, o que elongaria esta entrevista.

5 - Qual sua visão sobre o futuro da Ufologia?
Honestamente, se continuar do jeito que está, ela perderá o trem da História, como se gosta de dizer hoje. Externamente, como já disse, as coisas se tornaram mais difíceis, porque não há investigação sem fatos expressivos, e há como que uma pausa quase que diabólica nas aparições, que num primeiro momento desestimula e nos leva a um “deixa pra lá, de mexer com essas coisas.” Internamente, acho que só podemos ir para a frente se cada um se preparar segundo a receita que dei (com meu mais de meio século de experiência) e reununciar ao individualismo. As pessoas, uma vez preparadas, têm de aprender a trabalhar juntas e dividir tarefas, segundo o que cada um é capaz de fazer melhor. A decadência de muitos grupos, no Brasil e no exterior, me parece causada pelo che chamaria de “Síndrome do Deu a Louca no Mundo”. È aquele filme onde um grupo de pessoas descobre que há um tesouro enterrado num parque nacional americano. A princípio todos se comprometem a achar o tesouro JUNTOS e depois “rachar a grana”. Mas logo cada u começa a sentir-se tentado a achar o tesouro sozinho e tapear os outros. E todos caminham para a destruição. Na ufologia, a mesma coisa. E não se pense que é só no Brasil: na Europa e nos Estados Unidos têm havido muitos casos de brigas homéricas entre grupos e pessoas.
Uma conseqüência terrível pode ser que, de repente, os OVNIS podem resolver voltar maciçamente e a Humanidade não terá tempo de se preparar para a terrível novidade de descobrir que não está só no Universo. Digo terrível, porque de uma hora para outra, independentemente de intenções dos visitantes, nossa identidade e nossos valores todos serão postos em cheque. Passaremos de filhos únicos e mimados de Deus para descobrirmos que não só temos muitos irmãos, mas que alguns têm modos muito estranhos de ser.

6 - Quais os principais casos que você estudou e a que conclusões você chegou?
Dos que me lembro mais, já citei antes. Em cinqüenta e dois anos de experiência, todos os casos são importantes. Uma conclusão inicial seria a de que aquela redução idiota tipo “95% por cento dos casos são explicáveis e que cinco por cento não têm explicação”, ao mesmo tempo em que não se procura por ela – pode ser muito injusta. É provável que muitos, mas muitos mesmo (não digo que cheguem a 95%) é que são inexplicáveis e pedem explicação mais ousada. Insistir nessa bobagem, portanto, é tapar o Sol com a peneira.
Mas vamos ao meu “P.F.”. Um determinado senhor tentou me irritar dizendo que eu sempre digo a mesma coisa, que isto seria meu P.F. Pois bem, eu gostei e acho que P.F. pelo menos alimenta. O pior é quando não se tem nada para alimentar a fome de conhecimento dos outros. Então, meu P.F. é:

  • O fenômeno OVNI é real, material, mas que apresenta certas características que o confundem com algo transcendente ou espiritual.
  • Tem demonstrado uma tendência preocupante ao longo do tempo, que é a operação clandestina, furtiva e às vezes interferente e arbitrária em nosso mundo.
  • Tomados como verdade (nem que provisória) certos contatos, especialmente os repetidos, com humanos, também se conclui que os operadores do fenômeno não conhecem outra forma que não a relação autoritária, aberta ou disfarçada.
  • Outro corolário é a de engodar seus contatados, de forma que estes, a partir de sua desmoralização conseqüente aos citados engodos, reforcem a cortina de fumaça, necessária à sua clandestinidade operacional.
  • O recente caso do avião mexicano, a meu ver é um divisor de águas, por apontar (provar é ainda impossível) para a evidência da propriedade da invisibilidade ótica no espectro visível, mas não no infravermelho (o que prova que o alvo era algo que irradiava calor) e material, porque refletiu ondas de radar. A isto se ajunta o fato de que na noite de 19.5.86 os caças da FAB se viram também frente a frente com algo assim. Quem reparar bem na reportagem da Revista da Força Aérea verá que de início um dos caças (o pilotado por Kleber Marinho) consegue ver o OVNI com o radar de bordo. A partir daí, só os radares de terra percebem os OVNIS, mas não os radares de bordo. Outro aspecto importante foi o do “silêncio eletromagnético”. Equipamentos que os caças levavam para rastrear emissões eletromagnéticas e medir distâncias das respectivas fontes de emissão ( ADF-Automatic Direction Finder e DME-Distance Measure Equipment) e que usualmente dirigem o caça em direção ao alvo emissor e medem sua distância ao mesmo, não acusaram nada quando o caça se dirigia na direção indicada por terra. Mas de davam meia-volta o ADF indicava a presença do “alvo” e o DME indicava algo emitindo onda eletromagnética a 30 milhas de distância. Isto é novo. Pode indicar que além dos meios de vôo por algum meio eletromagnético, existe OUTRO, no qual não se usam emissões eletromagnéticas. Aí o céu é op limite.
  • A supracitada evidência pode não só comprovar casos de súbito desaparecimento ou aparecimento de objetos e seres, mas também indicar que a invisibilidade ótica passou a ser usada com mais freqüência do que imaginamos. Daí, o “cadê os discos-voadores que sumiram” pode ter como resposta: aqui como sempre estiveram, mas com cuidados redobrados para garantir sua furtividade.
  • Não sabemos qual o preço pago por supercivilizações TECNOLÓGICAS para atingir o nível (tecnológico) ao qual chegaram. Portanto, cuidado com deslumbramentos, ou estaremos cometendo o mesmo erro dos índios, astecas e incas ao confundirem os conquistadores ibéricos com deuses (síndrome de Caramuru) ou daqueles que achavam o máximo o desenvolvimento inicial da Alemanha Nazista. Desconfiar “deles” é preciso, não necessariamente das (pobres) testemunhas.
  • O não desembarque e contato definitivo de alienígenas de qualquer espécie em nossa mundo,pode simplesmente significar que apesar do seus poderes, estes ainda não são suficientes para dominar um mundo grande e com bilhões de habitantes portadores de uma enorme diversidade cultural.
  • As relações de contato entre culturas diversas (independentemente do desnível intelectual) são sempre questões delicadas. Em nosso meio, a globalização, e sua tendência uniformizadora, representa uma ameaça à diversidade cultural, a ponto de colocar a Unesco em alerta. Entretanto, parece inevitável que a longo prazo a solução seja mesmo uma certa permeabilidade controlada entre as culturas que interagem entre si, De uma fala recente do ex- presidente do Iphan, Dr.Antônio Augusto Arantes Neto,antropólogo de formação, extraí o trecho seguinte, onde se analisa o fenômeno da interação de “forasteiros” em núcleos culturais (no caso, de promoção de festejos) e “nativos”:

-“Os recém-chegados, desejando validar a sua condição de novos membros dessas comunidades, empenham-se para ter papel ativo nas comemorações. Novas regras e critérios negociados entre “nativos” e “gringos” para a escolha de festeiros podem abrir e, ao mesmo tempo regular, o espaço político da festa. De fato, a acomodação do costume às circunstâncias tem limite: alguns papéis específicos podem estar bloqueados aos forasteiros e serem prerrogativas dos que são considerados competentes e fiéis seguidores “dos antigos”. Nesse caso, estarão vinculadas ao pertencimento a um dos grupos extensos de parentesco que formam o núcleo da comunidade nativa, indicando que alguns aspectos de determinadas práticas sociais (tais como, em geral, a preparação da comida, a execução da música, dança e pintura) são menos permeáveis à inovação do que outros.
Observa-se também que certas atividades são mais carregadas de sentidos locais de identidade do que outras, conferindo à performance cultural a condição de símbolo ativo da comunidade e espelhando o que o grupo considera ser a sua “tradição”.” (Grifos nossos)

  • Este trecho pode inspirar-nos o seguinte: em termos de universalização, isto é, além da globalização, os “nativos” (isto é, nós terrestres) temos de ceder um pouco à interferência de “gringos” (isto é, alienígenas) mas temos de preservar nossa identidade dentro de certos limites, para que não percamos nossa dita identidade e caiamos de quatro, só porque alguém pode aparecer e desaparecer, desintegrar coisas, ou viajar de modo alucinantemente rápido, ou contar histórias da Carochinha sobre o mundo “ideal” em que vivem. A síndrome de Caramuru tem de ser evitada em nome da nossa auto-estima, auto-preservação, identidade e diversidade. Em suma: o contato oficial implicará no fim de uma humanidade “pura” e o começo de uma hibridização cultural CONTROLADA. Isto pressupõe consciência política, com franqueza, pouco freqüente na alienação reinante na Ufologia, mundialmente falando.
  • Do anterior prevejo que afora a obsessão por provas físicas, estudos mais aprofundados na área de ciências humanas têm de ser feitos, organizando-se extensões da sociologia, da antropologia, da filosofia e psicologia (entre outras) que poderíamos chamar , provisoriamente de:
  • exo-sociologia que começaria a estudar evidências (pelo menos provisórias) do que se se pode depreender da organização social e política das sociedades alienígenas, a partir da informação pura e simples das testemunhas, se possível comparando com nossos modelos;
  • exo-antropologia: idem para o ramo de buscar um equivalente de nossa ciência antropológica, também nessas comunicações.
  • exo-filosofia: idem, idem, idem.
  • exo-psicologia: idem,idem, idem.
  • Vejam bem. De início não haveria nenhuma preocupação em buscar provas, mas simplesmente fazer inferências. Por exemplo: a descrição da sociedade ummita, e vários testemunhos que mencionam seres feitos em laboratório, dariam indícios de involução humanística, contrapondo-se à evolução tecnológica. Igualmente menções a raças puras, governo único e etc. indicariam perda da proteção de meios sociais intermediários e portanto massificação no sentido estrito do termo, que não deve ser confundido com “produção em massa”. Portanto, se fabulações de humanos, elas indicariam a presença de “ideais” autoritários no inconsciente coletivo. Mas se tudo apontasse para narrações credíveis, teríamos de nos preocupar com o nosso próprio mecanismo de evolução humanística, que poderia ir pelo mesmo caminho, isto é desaguar em supercivilizações ditatoriais, com destruição da diversidade, praticamente obrigatória. No nosso caso, o do ser humano, é visível que a globalização e a automatização estão provocando retrocessos sociais e direitos de trabalhadores. A China nos acena com o fantasma da “ditadura que deu certo”. Então é bom conferir, para ver se isto é evitável.
  • Certas “evoluções” relatadas são discutíveis. Por exemplo, como ficaria a privacidade num mundo onde a telepatia substituiria a fala? Como ficaria música ( e o canto)num mundo onde a idade adulta significaria a perda da voz,como descrito em UMMO? E o que aconteceria com a audição num mundo sem necessidade de se ouvir a voz dos outros? São questões inquietantes. Qual a necessidade de um corpo muscularmente desenvolvido num mundo onde tudo voa sozinho ou se resolve ao toque de botões? Mais uma evidência de que certas “evoluções” não são tão vantajosas assim.
  • Concluindo: num mundo falido social e ideologicamente como o nosso está, se de repente vem gente de fora, que passou por processos indesejáveis de “evolução”, as mentes sãs deste mundo têm de estar preparadas para evitar a tentação autoritária e a perda de nossa identidade. De certa forma a vida pode imitar a arte e a ficção. Por exemplo, nas séries “A Batalha Final” e “Terra Conflito Final”, os “recém-chegados se surpreendem em redescobrir em nós valores que tinham perdido.

7 - Nos casos que você estudou você chegou a acompanhar transformações nas vidas das pessoas envolvidas? Caso positivo, que transformações foram estas?

Dificilmente algo muda na vida de uma pessoa se ela simplesmente vê ÓVNIS, não importa se distantes ( DD,NL, RV) e mesmo nos chamados “contatos imediatos” mesmo os de 3º grau, isto é se simplesmente deu de cara com tripulantes. A pessoa simplesmente passa a ter certeza, em caso de avistamento bem consistente, de que ÓVNIS existem. Como também passa a considerar os céticos como uns idiotas. Nos casos de contatos de 3º grau embora o choque seja maior, a vida tende a entrar no seu ritmo anterior. A pessoa torna-se mais reservada, comenta a coisa toda, mas não faz alarde.
O problema maior é com os chamados “contatados”. Aí sim, temos problemas.
Pode ser coincidência, mas observo um aspecto recorrente nos contatados, que pode ter ou não com uma certa escolha deliberada dos alienígenas sobre quem contatar.
Geralmente não são pessoas simples ou simplórias. Mas quase nunca são pessoas com educação a nível superior, ou se a tiveram, esta tem lacunas. E dentro de muitos deles, eu diria que há uma certa insatisfação com o nível que alcançaram. Queriam mais. Mas, ao mesmo tempo, ou não tiveram mais oportunidades ou têm uma certa preguiça de “pegar no duro” e chegar ao nível intelectual que no fundo ambicionam.
Ora segundo Karen Horney (vide “Neurose e Desenvolvimento Humano”) isto induz a uma necessidade neurótica de auto-afirmação. Segundo a autora, a pessoa passa a não querer qualquer triunfo. Quer um triunfo vingador, que a coloque até acima dos que triunfaram além do que ela conseguiu.
É claro que isto produz um caldo de cultura excelente tanto para que ela tente parecer o que não é: inventando uma história de contato com seres superiores, que lhe ensinaram coisas “maravilhosas”. Mas por outro lado, lá de cima, os alienígenas poderiam ver no terrestre frustrado intelectualmente um tremendo candidato a TT, trouxa terrestre. Então, entram em contato com a pessoa, usualmente de forma violenta na primeira vez. Através de um seqüestro, do qual às vezes, a pessoa nem lembra mais, como no caso de Betty Andreasson.
Numa continuação posterior a pessoa sentiria a tentação de sbaer muito mais do que seus iguais, porque esses seres “superiores” vieram lhe oferecer extraordinário conhecimento. E aí, como os índios frente a Caramuru, “caem de quatro”.Acreditam em tudo, desprezam o conselho dos que tentam lhes orientar de que aquilo pode ser uma armadilha que os levará à desestruturação e ao ridículo. No fim, como diz o Jacques Vallée, se o objetivo é conseguir que se forme um grupo de fanáticos, conseguem. E acrescentaríamos: conseguido isto, as revelações “maravilhosas” na verdade desinformnações, levam as pessoas ao ridículo, à desmoralização e por tabela, o assunto OVNI também. É a cortina de fumaça que os alienígenas precisam para operar aqui, sem que ninguém os perturbe. Isto é grave.

8 - Você consegue estabelecer semelhanças de personalidades entre as testemunhas dos casos pesquisados por você?
Sobre os contatados, acabei de descrevê-las. Nos outros casos, menos “cabeludos”, não. São pessoas normais com a diferença de que dizem ter visto um OVNI. De resto, nada de diferente.

9 – Você teria condições de nos informar qual o estado psicológico dos relatores de casos antes, durante e depois de um contato?
Como já disse, há o choque, depois há a vergonha, o medo do ridículo em partilhar a experiência, o que é estimulado pela censura daqueles primeiros a ouvir-lhes os relatos (“ah você sonhou”, “você bebeu”, você teve uma alucinação”,etc.).
Já nos contatados, às vezes arredios de início, podem em seguida se expor até em demasia. Mas há o fenômeno ainda pouco estudado do “contatado silencioso”. Ele não conta sua história e há indícios de que muitos se tornam mais que colaboradores, colaboracionistas dos alienígenas entre nós. John A. Keel é o melhor autor sobre este aspecto, embora eu já tenha constatado algo assim em certos casos de contatados que investiguei. A pessoa praticamente imagina-se como um deles, a serviço dos ETS, como se já não tivesse mais compromisso com sua identidade humana. Os grupos de contatados, ou sob a orientação de um (líder mistagógico) têm uma leve tendência fascista.


10 - O que você acha da influência psicológica e social em todos os casos? Mesmo naqueles em que ocorrem perturbações físicas no corpo da testemunha ou no solo.
O que relatei anteriormente faz-me achar preocupante. Veja você o caso do saudoso General Uchoa. Uma pessoa tão encantadora, tão boa ( no dia do seu enterro, estudantes e ex-alunos de direito choravam copiosamente, eles que haviam sido ajudados por ele com bolsas na Unip de Brasília) e que ficou totalmente fascinado por avistamentos e contatos, que afinal, passaram e quase ninguém presta atenção no todo deles. Foi ironizado, chamado de “general das estrelas”, e no entanto quem acompanhou pelo menos em parte, o que aconteceu com ele e seu grupo, nas terras do Planalto, sabe que algo de real aconteceu. Mas se eles,alienígenas, confundiram até um general do exército, que dirá o cidadão comum de nosso planeta!
Quanto a evidências físicas concomitantes a relatos extraordinários (inclusive CE-IIIs) eles deveriam ser a evidência definitiva para que os relatos das testemunhas fossem levados a sério e com respeito. E investigados, pesquisados a fundo, para deles se aprender a apreender alguma coisa. Por exemplo, de alguns detalhes do caso Bianca e Hermínio (que muita gente insiste em desacreditar) tive pistas concretas sobre emissão ultravioleta por ÓVNIS, agora confirmadas por experimentos a partir de relatos da Operação Prato.

11 - Você já teve alguma experiência com o fenômeno? Caso positivo, como foi esta experiência?
Tive duas muito expressivas e outras menores. A primeira foi em 1954, que me levou a juntar-me ao grupo inicial do CICOANI. Eu já descrevi isto bem numa entrevista Pepe Chaves, mas foi a visão de uma bolinha amarela que vi em BH, do meu apartamento, deslocar-se para frente até uns 30° acima da linha do horizonte. Depois ficou vermelha, começou a deslocar-se para a direita e fez um “looping” e foi-se embora veloz como uma bala, acho.
Da segunda vez foi num acampamento junto com gente da Polícia Militar de MG quando fizemos vigília no mesmo local. Mando relatório para quem quiser ler, porque aqui elongaria nossa entrevista.
De resto, na região do Vale do Rio das Velhas, em algumas vigílias, nosso grupo foi “rondado” por luzes que pareciam as tais sondas. OU então as víamos ao longe, voando baixo e acompanhando o relevo do solo. Verificamos de dia, que às vezes, ali não havia estrada nenhuma, que levasse a se pensar num carro com faróis, por exemplo.

12 - O que você diria a um jovem que desejasse se tornar um pesquisador de campo de ufologia?
Também já dei o caminho: estudar muito as disciplinas e tópicos que indiquei e desenvolver as habilidades também indicadas.E prestar muita atenção no que investiga e depois pesquisa e depois, conclui.
Certo cuidado, na área psicológica, o ufólogo deve ter consigo próprio. Notei, no decorrer desses cinqüenta anos, que o assunto costuma atrair muitas pessoas problemáticas em busca de auto-afirmação fácil. Às vezes conseguem em circuito fechado, mas,em termos de sociedade como um todo, do circuito interno não passam. É um sucesso restrito a guetos, no caso ufológicos. Isto deve causar-lhes enormes frustrações.
Por outro lado, costumam ser atraídos pelo assunto OVNIS pessoas de perfil autoritário, e dentro disto, tendentes a atitudes paranóides (mania de conspirações ocultas) associadas ou não a tendências obsessivo-compulsivas,especialmente os tendência colecionista. Definitivamente não sabem trabalhar em equipe e os “grupos” e “centros” que formam, acabam virando “blocos do eu sozinho”. Alguns chegaram, ou estão chegando, ao fim da vida, rodeados de montes de papéis, livros, fotos dos quais têm um ciúme mortal.Dificultam o acesso a esses materiais, mesmo a membros de seus grupos. Estes têm de se conformar com o papel de meros acompanhantes do “pesquisador” que afinal não “pesquisa” tanto,bem comno não conclui nada.
Um dos mecanismos decorrentes disto é a projetividade. A pessoa projeta, por exemplo, nas forças aéreas, em órgãos de segurança, a “censura” que na verdade ela própria pratica. Não é sem razão que o Dr. Hynek já dizia que um dos males da ufologia era a mania do “my file is better than yours”, meu arquivo é melhor que o seu.
Portanto, aos novos ufólogos eu recomendaria uma espécie de autocontrole para que não caiam em erros semelhantes.
A Psicologia registra que certos perfis psicológicos costumam estar associados a certas vocações e inclinações. Não é mal exclusivo da Ufologia,portanto. Mas temos de ficar atentos a essas tendências mais próprias do nosso meio.

13 - Como é a sua atuação como ufólogo? Conte um pouquinho para a gente sobre seu trabalho como ufólogo nos últimos anos.
Tenho atuado mais como orientador e no resgate de casuística mais antiga, já que a atual é quase inexistente. Há uma PAUSA e a gente nota que mesmo em boletins “heróicos”( Filer’s File, UFO Roundup entre outros) a falta de assunto leva-os a ficar “enchendo lingüiça”. Mas há sempre a limitação de que ufologia é tarefa de horas vagas. Isto é o principal limitador de todos.

14 - O que você gostaria de pesquisar em Ufologia que ainda não o fez?
É muito difícil saber o que ainda não fiz. Gostaria de ter mais tempo e estou ficando velho. Mas gostaria de orientar e estimular quem fosse chegando e vacina-los contra o perigo das “estrelas solitárias” e ufólogos de araque que infestaram e infestam o campo.

15 - Você é a favor de se estudar o passado da Terra visando encontrar fatos ufológicos? Por quê?
Em termos. Creio que a ênfase excessiva em “deuses astronautas” e similares nos leva a esquecer do aqui e agora e principalmente do que poderá vir a acontecer conosco, quando chegar a hora da oficialização do contato. A especulação excessiva, principalmente quando o que está em questão aconteceu há tanto tempo, toma rumos de escapismo, além de induzir à crença de que o Homem não é capaz de fazer ou inventar nada. Que sempre tem o dedo de alienígena “instrutor” no meio. É uma falácia. Veja texto “As Seis Conseqüências Sociais” de Jacques Vallée, que traduzi. É Parte do meu PF.
Diz um escritor francês cujo nome não me lembro:”entre le passe qui nous échapp et le futur qui nous ignorons, il ya le présent ou sont nos devoirs”. Entre o passado que nos escapa e o futuro que ignoramos, há o presente onde estão os nossos deveres. C’est ça...

16 - Que livros sobre ufologia você recomendaria para os entusiastas do CUB?
Há os básicos que são as obras do Dr. Josef Allen Hynek, do Jacquers Vallée, do John Keel, algumas publicações do início do CUFOS. Recomendo também ler tudo sobre o caso UMMO, principalmente a apoteose do mesmo que é o livro de Jean Pierre Petit ,”Enquête sur des Extra-terrestres”. È arrepiante pensar no grau de fanatização que aquilo tudo causou entre seres humanos. É um aviso...No Brasil há livros (alguns difíceis) como “As chaves do Mistério” (Editora Hunos) que reúne as principais reportagens de João Martins na antiga revista O Cruzeiro. Há livros do Flávio Pereira, o livro de Dona Irene Granchi, o recente “Seqüestros Alienígenas” de Mário Rangel, o muito bem feito “Vampiros Extraterrestres na Amazônia” de Daniel Rebisso Giese. E o recente “Perigo Alienígena no Brasil” de Bob Pratt.

17 - O que você aprendeu com a ufologia durante todos estes anos de pesquisa?
Tudo que passei a vocês nas perguntas anteriores.

18 - Deixe uma mensagem para todos os seus amigos do meio ufológico, para o CUB e para os amantes da ufologia.
Além de tudo que apresentei nas minhas respostas, acho que temos de caminhar para produzir descobertas e algum tipo de prova que obrigue a chamada “ciência oficial” a acolher o assunto. Mas para isto, temos nós de nos tornar cientistas, ou algo próximo disto. Não adianta ficar exigindo atenção a uma coisa, que nós mesmos, os interessados, estudamos tão mal e superficialmente. Aí eles dizem:”tá vendo? Olha que coisa mal feita e sem base!”. Então temos de aprender a falar a língua deles, ou não nos entenderão.
Todo pioneiro sofre. Quando Santos Dumont, menino, afirmou que o homem podia voar, levou vaia dos companheiros de infância. Madame Curie penou por conta própria refinando pechlebenda (mineral radioativo) na cozinha da água-furtada em que morava em Paris. A Relatividade e a Física Quântica não foram bem acolhidas pelos colegas “da antiga”. Mas quem ousava ir adiante, IA COM MUIA BASE e muitas ferramentas intelectual.
Assim devemos agir. E estamos atrasados. Este é o principal perigo. Podem “baixar” de repente e eu receio esta calmaria presente. E aí nem quero pensar.

Fonte: http://www.cubbrasil.net/index.php?option=com_content&task=view&id=44&Itemid=35

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